PEABIRU
O caminho que sobe o Monte Crista, desde a Pousada Monte Crista até o
Guardião de Pedra, tem quase todo seu trajeto calçado de pedras
que formam perfeitas escadarias de vários quilômetros de extensão.
Peabiru é o nome pelo qual ficou conhecido, não só um caminho,
mas toda uma extensa rede de trilhas que ligava a região dos Andes à costa
do Atlântico.
O historiador Luiz Galdino, em seu livro “Peabiru – Os Incas no Brasil”,
fundamenta que os peabirus testemunham antigas incursões com o propósito
de estender o domínio incaico até as margens do Atlântico,
onde nasce o sol.
Nas margens do rio Três Barras e da baía da Babitonga, começava
a ramificação do peabiru conhecida como Caminho Velho, Caminho
de Três Barras, Caminho dos Ambrósios, Caminho de São Tomé,
Caminho dos Jesuítas e Caminho de Monte Crista e se estendia por mais
de duzentas léguas até à cidade de Cuzco no Peru. No Caminho
de Monte Crista, que é apenas uma pequena parte da milenar
trilha do peabiru, existem algumas obras de engenharia simplesmente admiráveis.
A peculiar técnica de construção das canalizações
d’água, como a da escadaria de pedra, faz lembrar as antigas obras
de engenharia que se encontram na região andina, feitas por civilizações
incas e pré-incaicas.
O geógrafo Olavo Raul Quant, em seu livro “Peabiru – O Caminho
Velho”, esclarece que depois de os portugueses e espanhóis chegarem à América
do Sul, o Peabiru foi trilhado pelos padres jesuítas, por viajantes que
vinham da Espanha e não queriam passar pelo Rio da Prata. Tudo indica
que Aleixo Garcia, Alvar Nuñes Cabeza de Vaca e Fernando de Tejo y Sanábria,
fizeram suas caminhadas por esse mesmo peabiru.